Os colecionadores e uma mangáteca comunitária

O artigo hoje não é recomendação, mas não deixa de ter importância pra mim. Eu sou colecionadora, você é? Sendo ou não, você ajudaria na construção de uma mangáteca? Ou você pelo menos apoiaria o funcionamento de uma? Vou juntar esses dois assuntos e mostrar como estão ligados, então esse texto não será por tópicos e sim como uma conversa só!

Se houvesse um “colecionadores compulsivos anônimos” eu seria participante. Compro mangás desde os anos 90 e por mais que tenha perdido muita coisa antiga por ser criança e não ter muito dinheiro, minha mãe tentou o melhor pra me incentivar a ler tanto mangás quanto livros do que fosse que eu gostasse, mas isso basta pra ser colecionador? Você já se perguntou o que é necessário pra isso? Como senpai nessa área, eu tenho a resposta e não é 42.

Pra colecionar, basta acumular qualquer tipo de coisa que tenha um valor sentimental (ou não).

“Ah, mas coleção não é só pra se mostrar? ”

Claro leitor adorável, tem todo tipo de colecionador! Eu estou falando de um conceito geral, porque se coleciona? Vamos ficar no exemplo do mangá: tu compra títulos que tu gosta e mantem eles contigo até o fim dessa vida.

“Nada a ver, eu vendo se não quero mais”

Ou por outros motivos. Muita gente consegue ir lá e vender pedaços da coleção ou vender a coisa toda por N motivos. Enjoou, não tem espaço, a esposa enche o saco, precisa de dinheiro rápido, já vi de e essas pessoas não deixam de ser colecionadores, mas ao mesmo tempo no meu conceito pessoal, colecionar é manter por apego sentimental e não se livrar.

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Uma biblioteca de mangás. “mangáteca”!

A coleção é um investimento financeiro sim! Sem retorno? Depende do seu ponto de vista. A minha coleção tem momentos da minha vida gravado nas páginas dos mangás, e tem também as leituras que me proporcionaram vários sentimentos e me fizeram tão bem (ou as vezes muito mal :P). Claro que eu também penso que comprando o mangá aqui estou ajudando o(a) mangaká responsável pela obra e se esse é o jeito que eu posso contribuir dizendo “Obrigada sensei”, fico muito feliz. E se eu tenho essa coleção e a amo tanto, então eu vou sim exibir ela por aí com muito amor e não pra diminuir pessoas que não podem comprar ou não querem comprar ou qualquer coisa, porque EU coleciono por amor e compulsivamente por ser viciada em leitura mesmo!

Nas minhas aulas de qualquer cadeira sempre ouvi professores falando sobre as falsas estantes de livros ou sobre as coleções pra ostentação feitas porque saber ler e gostar de ler era status, mas hoje em dia eu não vejo muito isso. Vocês veem? Vejo pouca gente que só compra pra se mostrar, mas esse tipo de gente é colecionador? Oras, é sim. Posso não concordar com os métodos, mas é.

Se tu coleciona moedas de eventos de 1 real brasileiro, como meu marido faz, pra depois vender elas e conseguir uma boa grana, tu é colecionador de moedas de 1 real de eventos? Sim, é. Até a coleção acabar, mas é!

Um mangá café montado em um evento

Um mangá café montado em um evento

Esse debate quase nunca é comentado por aí, mas vocês podem achar semelhante com “quanto anime preciso assistir pra ser otaku”, como já falei aqui zilhões de vezes essa coisa de otaku e otome é o mesmo que nada pra mim, não sou nada disso e não entendo a necessidade das pessoas em terem tags, mas não me identifico com nenhuma dessas coisas. De qualquer forma, a resposta também é que basta assistir animes. Um ou dez, ou duzentos até! Basta assistir.

Temos aquele colecionador que veda a coleção e não deixa ninguém tocar. O que divide tudo com todos, pois não preza o estado físico impecável. O que é heremita do mangá e só compra aqueles clássicões mesmo, tipo Osamu Tezuka vagabond, essas coisas da nata do mangá que saem aqui. Tem os que compram em japonês mesmo sem saber ler, só pra colecionar os japoneses mesmo. Assim como tem todo tipo de gente, tem todo tipo de colecionador, mas essencialmente, somos todos acumuladores de papel!

Tem uma coleção de uma série só? Eu vou dizer que a aquisição é linda e vou te parabenizar, porque se tu gosta da obra e pode ter ela ali em mãos bonitinha, fico feliz por ti!

Sabendo de tudo isso, podemos ir para a segunda parte do artigo e aqui eu peço desculpas se a leitura ficou meio confusa, mas acompanhem!

Quem acompanha o blog faz um tempo sabe que meu sonho é ter uma mangáteca. Pra isso, eu preciso de muito dinheiro, ou dinheiro do governo ou doações de outras pessoas que gostam da mesma coisa que eu e apoiam a causa.

Vamos supor que a comunidade de fãs de mangás super me apoiou com o dinheiro, alguns trabalham comigo (no amor ta?) e nós estamos lá preparados com nossas prateleiras e bibliocantos, nossas mesas pra leitura e até os puffs! Mas e o acervo, como faz? A comunidade me ajudou com dinheiro pra criar uma mangáteca comunitária, mas agora ela precisa me ajudar a ter acervo.

O que quer dizer: preciso de coleções de mangás pra poder botar na biblioteca e emprestar pro meu futuro usuário. E é aí que f#de.

Uma loja especializada em mangás. A nossa mangáteca comunitária pode ser linda assim também!

Uma loja especializada em mangás. A nossa mangáteca comunitária pode ser linda assim também!

Eu sou do tipo de pessoa que não abro mão de nada da minha coleção e detesto que outros que não e o marido mexam nela (e quando eu emprestei meu socrates in love, nunca mais o vi rs), então fora de questão eu mesma fazer isso!! No way! Massss, inventaram os sebos pra isso e eu posso ir lá tentar arranjar algo. Só que não é suficiente, vocês já estiveram na biblioteca da escola ou do bairro de vocês? Ela tem bastante coisa pra vários gostos né?

Doações. É o que precisaríamos, né? Você, colecionador aí me lendo, doaria? Você compraria em sebos pra doar pra um bem maior? Eu faria a segunda opção tranquilamente, mas pense aí com seus botões se ajudaria na construção de uma mangáteca comunitária! Vocês podem pensar que isso é uma ideia impossível, mas na verdade não, então pensem com carinho se gostariam de dar a possibilidade de termos novos leitores aproveitando as mesmas obras que nós, e outras diferentes também. Pense só num ambiente onde só temos o que gostamos e bem, sem custo adicional, é só chegar, pegar algum mangá e ler, depois só deixar ali e voltar outro dia!

Colecionadores e não colecionadores, o artigo foi longo sim, mas pra mim foi satisfatório. Mostrando os tipos de colecionador eu quis ilustrar pra você todo tipo de pessoa, com pouco ou muito dinheiro, que trabalha ou não. E falando sobre a possibilidade real de uma mangáteca comunitária, eu faço da força de vocês e de como ter muito apego sentimental pode prejudicar essa ação cultural, mas ao mesmo tempo ainda existem modos. Pra vocês aí que passam horas postando nas páginas das editoras pra trazer vários títulos e que as vezes conseguem mesmo! Eu acredito que vocês também são capazes de ajudar em algo inédito, lindo e útil pra todos os fãs e futuros colecionadores!

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