A prova de coragem de Emily Wright

emily

Bom dia pra todos! Essa semana eu criei este conto para o desafio de histórias de halloween na comunidade Otanix do aplicativo Amino e já que eu passei por todo trabalho de confeccionar este conto e estou extremamente satisfeita com ele, resolvi trazer para o blog!

A narrativa a seguir é uma história produzida totalmente por mim, com auxílio visual de imagens e GIFs. Os direitos sobre tais imagens e GIFs pertencem aos seus autores!

E vamos lá, espero que gostem!


Ora, boa noite.

inicio

Não tenha medo, se aprochegue. Hoje vamos ouvir uma boa história de terror.

Será mesmo só uma história?
Aah! Mas isso você pode pensar depois.

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Personagens:

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emily
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☑Nome: Emily Wright

☑Idade: 28 anos

☑Altura: 1,65

☑Personalidade: Curiosa, corajosa, determinada, reservada.

✏ Emily é uma jovem que não conhece limites quando está curiosa. Desde pequena é apaixonada pelo oculto, sendo fã de muitas obras sobrenaturais. Ela também adora contar o que acontece em suas explorações.

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☑Nome: Abigail Thompson

☑Idade: 26 anos

☑Altura, 1,70

☑Personalidade, curiosa, medrosa, gentil, simpática.

✏  Abigail é uma mulher mais reservada e mais religiosa, que se tornou amiga de Emily por serem exatamente opostas. Ela sempre foi atraída pelo oculto também, mas a fé exagerada de sua família sempre ficou no caminho de qualquer chance de liberdade em sua vida. Seu sonho é se tornar mais como Emily.

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☑Nome: Charlotte Harris

☑Idade: 36

☑Altura: 1,60

☑Personalidade: séria, cética.

✏ Chartlotte é uma psiquiatra muito contida e extremamente cética. Sempre trata pacientes que passaram por situações traumáticas e narra os relatos de Abigail Thompson sobre a última aventura com sua amiga, Emily Wright, até que ela mesma se vê fascinada pelos relatos de sua paciente.

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A prova de coragem de Emily Wright

Emily e Abigail são amigas desde jovens e ambas estudaram em uma escola religiosa, mas Emily nunca deu muita bola para essas coisas e sua família escolheu a escola por achá-la boa para a educação da filha enquanto Abigail não tinha opção, pois sua família é muito religiosa, a ponto de incomodá-la. Quando ambas concluíram universidades diferentes, Emily motivou a amiga a se separar da família que só a prejudicava com seus limites e adoração exagerada. Não é que Abby (como Emily gosta de chamar) não reze antes de dormir, nem ande com o crucifixo de ouro maciço da família por baixo da blusa sempre e não acredite em milagres, ela só queria poder decidir como viver a sua própria vida, assim como Emily e seu insaciável espírito aventureiro.

As duas trabalham em um bar nada chique e dividem o aluguel de uma região mais simples de Londres, mas sua paixão mesmo é o oculto. Tanto a aventureira Emily quanto a contida Abigail não conseguem segurar sua curiosidade sempre que escutam boatos estranhos de coisas inexplicáveis. E se você gosta de ouvir coisas estranhas e histórias de arrepiar os cabelos do braço, trabalhar a noite em um bar é sempre interessante.

Oh, mas não se engane! Esse trabalho é difícil. Entre os bêbados passados e os paranóicos completos que fedem a álcool e a tremenda falta de higiene, às vezes dá pra pegar alguma coisa.

Nesse ponto você já entendeu que elas são caçadoras do oculto, mulheres que gostam de perseguir o inexplicável para ver se conseguem sentir na pele tudo que escutam, ao invés de tentar provar que tais coisas existem para todo o mundo. E até aquela noite, tudo acabava em risadas.

Abby ia levando mais uma rodada de cerveja diluída demais quando notou que de risadas e xingamentos típicos de um papo entre dois rapazes que não eram regulares do bar, um deles ficou sério apoiado nas mãos em cima da mesa, com as costas arqueadas e o outro tenso, levemente indignado.

─ O que aconteceu rapazes, a cerveja não caiu bem?

Ela perguntou inocente, como boa funcionária competente que é. Os dois universitários atléticos e com traços escoceses se entreolharam, e talvez fosse a aura doce de Abby ou algum tipo de alívio para eles, mas começaram a falar de uma aventura em comum da cidade de onde eles vieram, aquele tipo de teste de coragem que costuma separar os meninos dos homens. O que Abigail ouviu e relatou para Emily foi o suficiente para que dois dias depois, na sua folga, as duas mulheres acordassem cedo para comprovar mais uma história, e uma bem interessante.

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É verão e isso facilitou arrumar as malas.Enquanto Emily admirava a vista fazendo vários comentários, Abigail sentiu o coração apertar desde a rodoviária e isso se deve a história dos rapazes do bar, não o que eles disseram, mas as suas expressões e outros trejeitos que indicavam que não parecia apenas uma brincadeira de crianças bobas.

A escócia é um local cheio de histórias pagãs interessantes e é difícil encontrar um local onde bruxas não foram queimadas ou fadas da floresta não levavam crianças trocadas, mas a história dos rapazes é completamente fora desse padrão e por isso Abby não conseguia tirar da sua cabeça que isso era uma má ideia e ela repetiu isso quando colocou sua mala na cama de uma pequena pensão baratinha na cidade portuária acolhedora de Portree, um lindo cenário digno de filmes premiados, como a maioria da Escócia.

─ Isso é uma má ideia Emily…e se existir mesmo alguma coisa lá?

─ Bom, Abby…esse é meio o motivo da gente buscar essas coisas. Qual é! Alguma coisa tem que ser real!

─ Mas…eu tenho um mal pressentimento…

Por um momento Emily pensou em acreditar e poupar a amiga de mais um passeio por locais assustadores. Está certo que Abigail queria sentir a vida como vento no rosto em um carro em alta velocidade, mas talvez ela ainda esteja muito apegada as suas crenças. Mas isso foi só um momento, ela logo riu.

─Abby! Você está conhecendo ótimos lugares e até uns caras bonitinhos as vezes! Está sendo corajosa, tenho certeza que é muito melhor do que o que te espera na casa da sua família! Você tem um trabalho mal pago e meio nojento as vezes, vive num lugar meio precário e tem que conferir todos os dias as promoções no mercado, mas hey….está vivendo o sonho, garota! Vamos, vamos trocar logo de roupa e ir nessa tal casa, você pegou o mapa? Já marquei o lugar!

Com um suspiro de desistência, Abigail pegou o mapa do bolso externo da mala e as duas trocaram seus vestidos bonitos para viajar por calças jeans surradas, tênis esportivos e camisetas com dizeres nada educados. Desceram as escadas da pensãozinha enquanto prendiam os cabelos, Abby em uma trança e Emily em um rabo de cavalo e assim as duas rumaram para a confirmação da história dos rapazes do bar, munidas de um mapa amassado, duas garrafas de água, um pacote de crackers e duas lanternas.

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mansao
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Histórias contadas em cidades pequenas sempre tem versões diferentes, mas essa não se modifica muito.

Cerca de trinta anos atrás existia no topo de uma colina uma mansão linda, cheia de empregados e uma bela família que vivia em harmonia. O pai, as duas filhas e a jovem esposa moravam ali contentes, com uma bela vista para a cidade e muitas festas populares. Em uma das festas, a família ganhou um presente de um morador humilde que era dono de um antiquário sem muito sucesso, um lindo espelho de origem italiana, de formato oval com sua borda toda de ouro trabalhado, uma peça e tanto. Apesar da urgência em ter o presente aceito e de notar uma leve perturbação naquele rosto velho e enrugado do quase antigo proprietário, o anfitrião fez o seu papel e aceitou.

─ A patroa vai adorar!

Ele disse praticamente empurrando o espelho mal embrulhado em um pano, o sorriso amarelo estampado no rosto. Existem diversos mitos sobre espelhos, esse objeto comum utilizado no mundo todo para refletir o que está a sua frente, mas um tormento em tempos antigos. Algumas pessoas preferiam deixar todos os espelhos cobertos por medo de algo de dentro dele sair para pegá-los, outras tinham medo que roubasse sua beleza, juventude, a alma e até mesmo as faculdades mentais.

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Primeiro a mãe, nem tão jovem e vaidosa, ela ordenou que o espelho fosse colocado no corredor dos quartos, no segundo andar da mansão e sempre se olhava, cada vez mais se admirava profundamente pelo seu reflexo. Foi em pouco tempo, em menos de um mês na verdade, que a família toda teve sua sanidade consumida pelo belíssimo espelho italiano.

Os empregados que não foram acometidos pela mesma loucura fugiram da casa e na cidade abaixo, todos sabiam: não deviam se aproximar da mansão. No entanto, ninguém sabia dizer ao certo o que aquele aparelho do mal era capaz de fazer, pois todos que o encaravam por muito tempo perdiam a habilidade de ter uma conversa racional. Os crimes brutais que levaram a família toda a morte ficaram gravados na história do local, mas com os anos aquele terror foi se dissipando nos corações dos moradores e logo a antiga mansão Campbell e aquele local uma vez condenado a perdição, se tornou um local para jovens testarem sua coragem, se olhando no espelho por longos cinco minutos no corredor que de magnífico passou a velho, escuro, cheio de diversas pragas rastejando para todos os lados, com uma aura pesada, e apenas aquele espelho ali, meticulosamente reto na parede, não importando se tivesse tudo caindo aos pedaços, o papel de parede de padrões rasgado, encardido, mofando, morrendo.

E é ali naquele corredor que Emily e Abigail se encontram agora, a respiração ofegante, garrafas de água sendo consumidas com voracidade por conta da extensa caminhada. O pôr do sol entrando pelos vidros quebrados da janela no extremo sul do corredor, o cheiro de mofo típico de locais fechados e inabitados infestando suas narinas, e o pulso acelerado de duas jovens aventureiras, ou talvez só uma aventureira e uma medrosa.

─ Pronto, vimos o espelho, vamos voltar Emily. Nada aconteceu, exceto talvez uma reação alérgica de tanto pó. Disse Abigail procurando seu amuleto religioso embaixo da camiseta, o apertando como se ele pudesse as transportar de volta para o pequeno quartinho bem arejado na pensão.

─ Uau…é um espelho muito bonito, acho que vou levar pra casa se não der em nada!

Emily soou despreocupada movendo o feixe de luz pela parede, subindo de encontro a borda trabalhada do espelho pela segunda ou terceira vez. Era agora ou nunca, uma delas tinha que provar a lenda local errada…ou o mais temível: correta.

─ Ok, vamos lá!

Abigail soltou o ar dos pulmões, cada vez mais nervosa enquanto Emily botou a garrafinha de água aos seus pés e encarou o espelho, olho no olho do seu reflexo. Abby tratou de contar o tempo no relógio de pulso e as duas ficaram ali em um silêncio quase sagrado. Cada segundo fazia a amiga ficar mais assustada, enquanto Emily respirava cada vez mais fundo, cada vez mais rápido, a mão livre abrindo e fechando devagar nos braços relaxados para baixo, um exercício contra a ansiedade do momento. Seus cabelos, seu rosto, seus olhos refletidos na pouca luz no espelho antigo começaram a lhe parecer estranhos, mas é uma reação normal de se olhar no espelho por muito tempo então ela tentou manter-se calma, mas sem muito esforço, a respiração foi ficando mais rápida, o coração batia mais forte, o suor escorria pela testa e grudava poucos fios de cabelo ao rosto. Cada tic-tac do relógio só deixava Abigail temerosa, igualmente nervosa, pareciam uma eternidade ao mesmo tempo que perto de um grande alívio. Um minuto e quarenta, dois minutos e trinta, quatro minutos e meio…Abby já podia se ver de volta a cidade, rindo enquanto toma algo alcoólico e forte, com certeza. Já estava longe imaginando a viagem de volta, a rotina, a amiga rindo e recontando a história como só ela conseguia fazer.

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Os ponteiros percorreram os cinco minutos mais longos da sua vida e nada havia acontecido. A interjeição de alívio de Abby percorreu o corredor todo, incomodando o ranger habitual das paredes da casa e a rotina dos roedores que por direito são donos da propriedade, mas enquanto Abby levanta a cabeça e a lanterna vai subindo em direção ao rosto da amiga, o horror se aproxima.

─ Emily, acabou. Pode parar!

Cinco minutos e nada, apenas a estranheza do seu reflexo, mas logo seus pensamentos mais comuns foram sendo banidos de sua mente, logo o seu corpo se tornou leve e atraído para o reflexo tão estranhamente familiar.

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Os olhos claros piscando cada vez mais devagar e a voz de Abigail cada vez mais distante. A mansão sendo substituída por nada a seus pés, o ar ficando mais pesado, com um fedor tão pútrido que não dava pra dizer que tipo de coisas haviam morrido, as sensações mortais de Emily Wright sendo varridas para longe por vozes altas e baixas, sussurros e gritos de diversos timbres. Vozes de modo que era impossível explicar, como se fossem vidro quebrando, cascalho sendo remexido, roncos e gemidos que o ouvido humano não captava como nada humano, nada que seu cérebro pudesse comparar com algo conhecido, cada vez mais alto, mais frequente, o ambiente mais quente, o coração mais rápido!

Ba-dump. Ba-dump.

Abigail não sentia nada e não via nada, era só Emily na frente do espelho pálida, suando e de boca entreaberta, com uma expressão que ela não queria mais iluminar com sua lanterna de tão horrenda e perturbadora, os olhos arregalados sem piscar, os lábios secos e o corpo todo rígido. A pobre Abby gritava e tentava tocar a amiga, sacudí-la, chamando pelo seu nome, pelo nome do Senhor, por todos os nomes que podia dizer.

─ Vamos Emily, está me ouvindo?!

Sua voz cada vez mais estridente, a frustração se alojando confortavelmente em seu coração acelerado. A lanterna de Emily foi a única a ficar ali presa a sua mão enquanto Abigail repetia seu nome, tentava puxar seu corpo. Sem ouvir nada, sem ver nada além de um espelho velho.

─ EMILY, MEU DEUS! VOLTE PRA MIM EMILY, VAMOS EMBORA! EMILY!

Nunca a amiga saberia dos temores que Emily passava seja lá onde estivesse. Das vozes cada vez mais perto, das presenças ao redor, da sensação de que não só uma mas várias coisas se aproximavam e rápido. Não dava pra ver nada, apesar de não estar exatamente no escuro, mas sentia as vozes as vezes longe e cada vez mais ao seu ouvido. Nas suas costas, do seu lado, aos seus pés. Aquela língua antiga que parecia amaldiçoada sendo pronunciada com violência, lhe fazendo esquecer o que era Emily, o que era espelho, tudo que conseguia pensar era uma espiral maldita de caos dominando seu corpo e sua mente. No início até queria resistir, mas depois já não sabia mais como era a vida fora daquela loucura, sem aquele cheiro, sem as sensações apavorantes que tomaram seu coração. E aquilo vinha se aproximando, vinha chegando em alta velocidade e queria Emily, queria tomá-la daquele mundo, ela sentia que não podia escapar e não conseguia dizer nada. Enquanto naquele corredor só havia as súplicas chorosas de Abigail, naquele local inumano Emily queria berrar, sentia a garganta queimando, o corpo sendo dilacerado milhares de vezes.

E aquela coisa se aproximando, lhe dando boas vindas a essa nova vida. Ali seria o seu lar, Emily podia sentir isso agora. Aquela figura distorcida agora olho no olho, sem uma forma exata, com um par de -talvez- olhos completamente brancos lhe encarando, um calor extremo que parecia derreter seu rosto de talvez mãos lhe tocando. Os odores fétidos entrando fortemente nas narinas, dominando seus pulmões. E aquela…coisa, pronunciando em um ritmo lento outras palavras, em uma língua que parecia dilacerar os tímpanos a cada sílaba, instalando apenas o mais puro medo na essência de seu ser.

E foi apenas um grito gutural, impossível para a voz da uma vez tão divertida Emily. Foi preciso só isso. Abigail foi empurrada com violência, sendo jogada contra a parede oposta ao espelho enquanto a amiga corria pela extensão do corredor na direção da janela para a única libertação daquilo que era a sua realidade agora, das mãos daquela criatura que só podia ser uma espécie de pesadelo antigo demoníaco que a absorvia para além de um espelho, um outro mundo que se apresentava agora como a sua única realidade.

E ela tinha que fugir.

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Aquele era o único caminho.

Os acontecimentos daquele fim de tarde escocês não foram capturados por nenhum dispositivo e até hoje Abigail Thompson não sabe dizer exatamente o que aconteceu depois dos cinco minutos que Emily Wright ficou encarando aquele espelho de aparência comum. Tudo que temos são os relatos até aquele momento em que sua companheira de aventuras escolheu o suicídio, se atirando pela janela com uma força que não poderia ter, levando consigo o que restava do vidro e a madeira podre. O acontecimento todo durou cerca de oito minutos e somente quando um grupo de garotos estava se aproximando justamente para um teste de coragem, eles encontraram o corpo da senhorita Wright e chamaram as autoridades, que não demoraram muito para subir a colina em suas viaturas. Aí foram quase outros cinco minutos em que Abigail ficou sozinha no corredor, completamente em choque, diante do espelho.

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Ela também nunca mais foi a mesma, mas talvez o tempo fosse a única coisa a manter Abigail viva, apesar que de um modo nada digno, presa em um quarto de uma instalação psiquiátrica em Londres. Mas lá, logo as vozes a alcançaram…a voz de Emily era uma das que sussurrava em seu ouvido durante dia e noite para vir com ela, a risada distorcida da amiga, o convite enlouquecedor. Tudo isso a levou ao suicídio, apesar de menos visual e mais pacífico na minha visão.

A paciente Thompson foi encontrada em seu quarto no dia nove de março, enforcada com seu crucifixo de ouro maciço que havia sido preso a ponta da cama que é presa ao chão, e dali ela partiu para o que acreditava ser o mundo melhor.

Em todas as minhas sessões com Abigail, ela sempre parecia apavorada e afirmava ouvir vozes, mas para mim era apenas um trauma do acidente de sua amiga próxima.

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Eu nunca acreditei no espelho, na lenda urbana da cidade portuária, mas por algum motivo…estou aqui hoje. Parece que tem uma voz me guiando para esta casa, já não sei se eu mesma possuo total controle de minhas faculdades mentais, mas tenho um gravador e uma lanterna e meu carro está logo ali com os faróis acesos.

Aqui é a doutora Charlotte Harris, doutora psiquiatra do Bethlem Royal Hospital. Se você estiver ouvindo essa gravação agora, então meu pior medo se tornou verdade e tudo que eu desacreditei a minha vida inteira só me trouxe até esse momento para me mostrar o quão errada eu estava todo esse tempo.

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final
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É real.

《F i m》

Espero que tenham gostado desse conto que produzi! Fazia tempo que não praticava uma boa e velha narrativa solo.

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