Resenha: Nijigahara Holograph

“As borboletas que foram soltas pelo destino irão virar uma só.”

Pois é, essa semana eu -finalmente, meu senhor- terminei de ler Nijigahara Holograph, mais uma salada de coisas -nem tão- loucas pelo nosso tão amado Inio Asano! Certamente um grande mangaká que separa meninos de homens (pessoalmente eu só queria usar esse dizer). Como Inio Asano tem muitos níveis de entendimento e isso também depende do leitor (não do seu QI, mas sim de vááários fatores como idade, entendimento do mundo, da vida e da morte, morais, etc…), eu não vou explorar as dez mil camadas que essa obra maravilhosa pode nos proporcionar, mas uma coisa é certa: se eu li duas vezes em uma semana e tive duas visões completamente distintas, nem consigo imaginar o que vou encontrar da próxima vez que ler esse mangá.

Informações

Título original: 虹ケ原ホログラフ
Tipo: Mangá
Volumes: 1 volume
Status: Completo
Gêneros: Drama, maduro, mistério, psicológico, vida escolar, seinen, slice of life
Autor: Asano Inio
Ilustração: Asano Inio
Ano: 2003
Editora japonesa: Ohta Shuppan
Serializado em: Quick Japan
Editora Brasileira: JBC
Preço: R$ 24,90

Sinopse

Nijigahara é um terreno atrás da escola dessa cidade onde a trama se passa, entrelaçando o passado e presente com dez anos de diferença entre eles, onde acompanhamos a história de alunos, professores, trabalhadores e outros vários moradores que tem um passado sofrido onde fizeram algo horrível ou passaram por algo imperdoável e agora chegou a hora de lidar com isso.

Nijigahara e sua salada temporal

Esse é o tipo de obra que te põe a prova. Vai testar seus sentidos e mexer com a sua percepção de tempo, vai cutucar com gosto o que você tem por certo e errado e no final pode deixar seu cérebro coçando um pouco, uma sensação nem tão prazerosa derivada de leituras que eu faço que me deixam pensando bastante sobre seu enredo.

Não pretendo fazer desta resenha um texto muito demorado, em vista que a obra já é densa e é apresentada de modo a mexer com o leitor, uma intenção que nem todo escritor consegue concretizar.

Em Nijigahara acompanhamos um roteiro que tem seus fatos chave espalhados entre o passado e o presente. Enquanto você acompanha uma turma em sua infância deveras conturbada, também pode acompanhar o que os adultos estavam passando nesse momento e vendo claramente o que os personagens exaltam: que o mundo é um lugar desgraçado e ninguém presta e que nem todos estão dispostos a manter a máscara.

A melhor definição que achei pro roteiro é a palavra cru, já que tudo ali é exageradamente…cru, é o que está ali, o que estamos vendo e sentindo sem engano, sem rodeios. Uma professora tentando impedir o estupro de uma aluna, o desgosto pelos alunos após um evento traumático, um casamento que parecia lindo e desmorona. A vontade de morrer constantemente e a tentativa de ajuste a sociedade que abate uma criança enquanto a outra já nem liga pra mais nada e no meio disso o bom e velho bullying elevado a níveis descontrolados resultando em uma tragédia que mudou a vida adulta de todas aquelas crianças. Neste mangá veremos muitas pessoas com problemas diferentes, causados por motivos diferentes: depressão, obsessão, surtos psicoticos e coisas sobre as quais as vezes lemos em algum artigo médico. O autor explora bem o quão ferrada a cabeça de uma pessoa pode ser e como ela se ajusta ao mundo, ele também fez um ótimo trabalho nos mostrando as máscaras que utilizamos e o momento que elas caem, como o ser humano reage.

Final feliz é uma coisa que não existe nesta obra e o final também vai depender do quanto compreendemos do desenvolvimento. Estou falando sem contar a trama como costumo fazer justamente por chegar a conclusão que Nijigahara é uma obra com vida própria, que vai sentar de frente pro leitor e vai bater um papo bem reto, meio louco, mas que faz total sentido no final…pelo menos em alguma parte da sua cabeça.

Claro que contamos com simbolismos também e no caso dessa obra o mais forte é a borboleta. Fui dar uma pesquisada sobre significados de uma borboleta e suas cores em diversas culturas modernas e já extintas. Gostei da dualidade da borboleta, pois ao mesmo tempo que ela simboliza algo bonito e que remete a natureza, algo limpo e novo (que se renova) e até está associado a reencarnação, ela também simboliza a morte e a perda (para reencarnar é preciso desencarnar afinal) e o aviso de coisas ruins se aproximando. Como vemos na obra, a cidade está sofrendo de um surto de procriação dessas borboletas (veja a imagem acima) e podemos relacionar isso como um modo de mostrar que tais pessoas pessoas precisam dessa renovação ou dessa perda. Nesse momento e em outros mais para o final a obra toma uma direção mais espiritual.

Por fim, enquanto a literatura é feita para causar estranheza em seu leitor, Nijigahara faz isso com uma força que curiosamente, tem sua elegância. É uma leitura imperdível para os fãs de complexidade, uma leitura de tantas camadas que acho que uma vida só não é suficiente para experimentar essa história de todos os ângulos, outro motivo de eu não ir muito longe e nem muito fundo. Eu entendo esse mangá como uma leitura mais íntima e por isso não posso sair disparando tudo sobre. Isso e o fato de eu achar sem graça mostrar tudo que se pode extrair de uma obra.

Espero que os curiosos confiram essa obra na íntegra e que os que já a experimentaram tenham curtido esse post!

Como de costume, já que possuo a edição física, mostro ela em um vídeo abaixo!

Bom, já que na hora do vídeo eu esqueci inocentemente de falar umas coisinhas importantes, vou adicionar aqui, já que algumas pessoas gostam de saber disso!

  • Papel: Offset
  • Capas internas coloridas (mostradas no vídeo e muito bonitas!)
  • 296 páginas 

Sabendo disso, espero que caso você goste dessa obra, consiga adquiri-la! Abaixo deixo links para compra do mangá! Se você é do Amino, confira meu blog sobre ‘onde comprar mangás’ para mais opções!

Compre na Amazon!

Compre na Saraiva!

Compre na FNAC!

E como sei que nem todos podem comprar, fiquem com os links para leitura online!

Leia aqui em PT-BR

Leia aqui em Inglês

Espero que todos se divirtam e tenham coceira no cérebro com essa excelente leitura! Se gostaram de Nijigahara, confiram outras obras do mestre Asano! Uma boa semana a vocês e até a próxima resenha, devoradores!

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2 respostas para Resenha: Nijigahara Holograph

  1. Clara Luar disse:

    Adorei a resenha! Amo a capa desse livro e gostei da sua sinceridade ❤
    Também tenho um blog literário, que fala também de mangás, e adoraria receber sua visita.
    Um beijo! ❤
    (www.gentefazendolivro.wordpress.com)

    Curtido por 1 pessoa

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