Clube do Terror: Chi no Wadachi

Olá, povo! No meio de desmaios, muita falta de ar e esse verão infernal que nunca acaba, eu ainda consigo ler alguma coisa. Depois de muuuito enrolar, trago pra vocês minha experiência com Chi no Wadachi, do mesmo autor de Happiness que atualmente é licenciado aqui pela editora newpop.

Informações

Título original: 血の轍
Tipo: Mangá
Volumes e capítulos: 7 volumes +
Status: Andamento
Demografia: Seinen
Gêneros: Drama, psicológico, vida escolar, slice of life
Mangaká: Oshimi Shuzo
Ilustração: Oshimi Shuzo
Ano: 2017
Editora Japonesa: Shogakukan
Revista Japonesa: Big Comic Superior
Link do mangá no Anime-Planet

 

 

Sangue nos trilhos

É sempre um pouco complicado pra mim quando topo com um mangá abordando doença mental, dominância, abuso mental e físico e temas similares, por ser sempre algo delicado a se explorar e não ser uma leitura para a qual muitos têm estômago. Chi no Wadachi se desenvolve ao redor do jovem de quatorze anos chamado Seiichi, que é relativamente normal para sua idade, apesar de bem reservado. Temos então os pais, um pai dedicado que trabalha bastante e em contrapartida se torna conscientemente ignorante a situação de sua bela e dedicada esposa, que é uma mãe sem dúvidas superprotetora, mas se fosse só isso não seria um mangá de Oshimi Shuzo.

Durante a leitura, mesmo antes de qualquer grande virada na trama, o leitor pode notar que através da arte consideravelmente realista, existe um desconforto. Os momentos de silêncio desconfortável, de exagero, perturbação e outros sentimentos comuns expressados por seres humanos em grupos é tão bem traduzido para o papel, que quase nem precisa de falas, pois as expressões das pessoas são tão reais que fica grotesco. Claro, acompanha o seu típico exagero em prol da arte, mas o leitor claramente nota que tem algo de errado e se torna incomodado e até ansioso quanto mais progride nessa trama.

Vemos de perto o que uma relação tóxica entre mãe e filho faz, como essa mulher que aparenta ser tão doce na verdade é o extremo oposto, mas como isso não é ao acaso. Não foi revelado até o momento no mangá que tipo de doença mental a mãe tem, nem se o filho também compartilha do mesmo problema ou só teve sua mente completamente danificada pela mulher, mas o ponto é que esse comportamento é extremo e é o ponto-chave para toda a história, é o que leva o leitor a querer descobrir mais, torcendo para que mais uma vítima de abusos seja salva, torcendo para que a mãe seja salva, para que algo…qualquer coisa, possa ser salvo nessa história. Claro, não existem garantias de um final feliz,mas qualquer que seja seu desejo ao ler Chi no Wadachi, esse mangá mexe com nossa mente e nosso espírito e isso é graças a habilidade do autor de, digamos adaptar nosso comportamento, nossa sociedade, de forma tão real e simples.

Claro que a arte é parte importante desse mangá e contribui imensamente para o entendimento de diversas situações mas os personagens são construídos com cuidado e detalhes e inclusive lacunas que nossa mente vai preenchendo conforme a reputação deles sobe ou desce conosco. Existem alguns personagens que aparecem sim e estes são bem construídos, porém, o mangá é bem focado na relação da mãe e filho e isso ajuda a passar o sentimento de sufocamento que a relação causa, entre outras coisas.

Finalmente, um dos pontos mais notáveis e incrivelmente revoltante durante a leitura, é como o pai da família age. Ele trabalha muito, mas ele é totalmente alheio a família. Existe um isolamento causado pela esposa, claro, mas ele é o seu típico pai japonês que mal tem tempo para si mesmo, mas também não investe na família e por isso, as coisas ficam liberadas para tomar rumos tenebrosos.

E essa foi minha experiência assombrosa com o mangá de hoje. É super difícil achar palavras nesse calorão, mas pelo menos vou sofrendo com ótimas leituras pelo caminho.

Vejo vocês na próxima postagem!

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